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terça-feira, 15 de novembro de 2016

rameira

meus olhos delatores
acusam me de impostora
a cada miopia torpe
a cada teima que insiste
a minha natureza enganosa
não se faz de rogada
e desfia-se na aspereza
para não fazer questão
de explicar
quem dera eu fosse assim
o que muitos pensam de mim
para que agruras e mal agouros
não pudessem me alcançar
sou eu mesma de sempre
essa teimosa passível
que flora toda época
para preservar-me flor
eu sou velha trepadeira
a rameira das canções antigas
eu sou a biscate da ponta do 
botequim
que já não se importa 
com o apelido
mas sou eu e apenas eu
que me dou o limite
de fazer o escolhido
para quem entrego canção
e as suas troveretas 
suas poesias de buceta
não ganham meu coração.

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

a dama de algodão

era ela quem te recebia
por mísero pão
às duas da manhã
depois do serão 
da madrugada

era ela quem nada pedia
e por vezes se dava
por indiscutível solidão
das paragens de ônibus
e a escuridão

deita criança
descansa que amanhã
eu não trabalho
não