quando olha-me pelo podre
pelo nervo que te embolia
satirizo
sou livre que você não é
pobre de ti
pobre de ti
que me vê gorda por gula
que me vê feliz pela luxúria
oh, glória
ai que glória...
e sorrindo revelo
mistérios gozosos
celebrados em terços
profanos e em língua
conhecida ou não
eles me chupam fundo
tiram tudo de mim
me roubam, me ferem
me saciam e me matam aos poucos
eu não tenho pressa
sou safada mesmo
dessas florzinhas
que dão nos beirais das casas
eles vão fundo
seja com o boca
ou com a faca
tiram meu tutano
e por vezes só isso
te mata, te mata aos poucos
enquanto corrói por dentro
desapruma
a inveja é uma coisa poderosa
mais poderosa que a morte
menos poderosa que a vida
e emparelha-se com a paixão