Pesquisar este blog

quinta-feira, 25 de junho de 2009

derradeiro


















finda com o beijo
na testa ou lá
à beira impotente
o desejo que guardava sem mim
morde a fronha e sonha
que decadente!

consuma urgente
meu cheiro de jasmim
e seja encontro
de delicadezas do desamar
que de tanto amar-te,
tonto amar-te,
mar morto, náufrago

e saiba que enjoada, cá
navegarei, navegarei
meio descontente
com o que sobrou

mas, já vai tarde
tarde!

segunda-feira, 6 de abril de 2009

minhas horas cinzas curvam-se


minhas horas cinzas curvam-se
diante de tuas palavras
não sei se dilacerantes ou sábias
beijam minha face
apoderam-se de meus ouvidos
tomam a quietude que me resta
afagam-me violentas
no gozo do entendimento
e diluem-se no ar
mas ecoam aqui
em meu peito arfante
até quando me acalentarão
e serão suficientes
para apagar as dores da falta?

domingo, 5 de abril de 2009

o aluir dos ares



o aluir dos ares

ventos alísios
tomam a capital
e a calmaria se vai
nas areias revoltas
duma praia de Fortaleza

partiram contigo
o sopro de relicários meus
e teu ventre solar
ainda anseia sonhos nossos
em pequenas tatuagens

ecoam abaixo do equador
as canções eólicas
que tentei aluir daqui
desse peito ressentido
e o som Aluisio sorri
manhãs de Iracema!


(para Aluisio Martins)

sexta-feira, 6 de março de 2009

limítrofe





devotei-me à traição
e amo-te em mosaicos conflitantes
resisto ao seu querer
e persisto dissociada
em dúvidas e orgias ficcionais
extremos passionais

soul-te inteira
sem limites tênues
errante e impulsiva
idealizo tudo
a crença utópica
do endeusar pagão
dilacero-te e peço-te
não me deixe morrer só!

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

és amor idílico






















és amor idílico
desejo etílico
querer empírico
ilusão
em suma
sorte minha ter-te

não creio em nenhum dos signos
dessas palavras traiçoeiras
fato

o que sei
é que durante anos
mesmo ausente "tu eras"
e nessas horas
mesmo longe
continuas sendo
mágica

habitas em mim
e és mais do que sempre quis
real ou surreal
carne ou pintura abstrata de Dali
é bom ter-te luxúria e verbo

e essa minha fala já é poesia
soul-te
prosa tatuada nas atuações
és-me poesia tatuada no ventre.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009


cravei-te
em minha
boca falida

que beija-te o falo
e quer-te a vida!

sábado, 3 de janeiro de 2009

palavras são gametas



palavras são gametas
monstros com três tetas
chafurdando na lama
do poço de dentro

as retinas vão aos ossos
vistos de fora para o centro
mergulhados no mesmo
abismo bestial

e vivos obra e observador
são parte do jogo
pacto fraco
ou ardor franco

coabitam mundos
íntimos e difusos
absurdos e compatíveis

como preto e branco
em algum momento
convergem ao mesmo ponto
rabisco e visgo

um é o embuste
outro papel de embrulho
de olhos e letras
faz-se o não dito.

domingo, 28 de dezembro de 2008



a verve que me move
não aplaca a saudade
que toma-me
faz definhar o verbo

sou a mola gasta
de um ser cansado
de viver
e afoito por trovar!




(ilustração de minha autoria)

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

parábola





em outras eras
lancei-me
subi o quanto pude
projétil e palavra
a esmo
sem ter-me

e divaguei na
vertigem vazia
da queda

qual pedra
ao encontrar
o solo

quebrei-me
em mil
para estar
no centro

e o repuxo
fez-me inércia
que na descoberta
sempre pede
a dor
do chão!


(ilustração de minha autoria)

terça-feira, 25 de novembro de 2008

a realidade refuta




a realidade refuta
e redunda na ilusão
sim, aquela grata ,que nos fere
e nos cala
tal chibata em tronco de perdição

talvez eu fique presa
pelo serpentear e o repique
de tua voz de gargalo
tentando convencer-me
a despir-me de luta

e quem sabe por algum minuto
ou vários, permita-me ser surda
ou solta, sem castigos ou mentiras
só ou contigo em insanidade
entregue à leviandade, cobiça da carne

por hora, sinto-me bem por não ter cedido
aos devaneios de uma vida rapariga
escondo-me ainda nesses risos falsos
em torturas desmedidas
sob meia dúzia de saias floridas

ledo engano essas verdades absolutas
como se não houvesse antônimos
nesse cárcere interno, no inferno íntimo
que ata-me ao teu terno de risca-de-giz
e ao teu chapéu de aba curta

convenci-me da relatividade de tudo
sem as certezas ou dúvidas que nos cercam
quem não vive assim,
não sabe do absurdo
que cega o santo e inspira o vagabundo

eis que nesta hora incerta, sã
por tudo que pude ter e perdi
que valho-me da falta de fé e da descrença
dou-me algumas gotas de mortal veneno
pois a esperança é que me mata.


(imagem da artista plástica Iriene Borges)


desterro

como deflagar um talvez
de algo que não se fez?

como fugir da rendição
dos poros em arrepio?

imaculado fato profano
ainda não concretizado
faz perder as rédeas
de um suspiro insustentável
de um desterro perdido
entre tantos ais.

(imagem da artista plástica Iriene Borges)

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

livro vermelho




quando falta-me
o rubor
é dia seco
como sangue denso
ensaio coágulo
escarlate
enfarto.