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quinta-feira, 20 de setembro de 2012
foi doce estação
segunda-feira, 14 de maio de 2012
envide
há um olho num cômodo escuro
no fundo do poço esperando
o infinito
cada tijolo daquele buraco
delataria a vista turva
do globo aberto
cada grão de areia rejunta
o cenário úmido e inerte
há um olho cego
esperando chaves
para portas que não existem
quantas cordas ainda?
quantas cordas?
terça-feira, 1 de maio de 2012
idiomas
sábado, 14 de abril de 2012
a folha
vê como é livre a folha
que vai e vem
sem se prender
sem temer a voar
é a música do perder
e vai e desaparece
rodopia e reaparece
como uma contradança
entra em parafuso
e some e se vê
sabe bem dos sussurros
que o ar dá ao lhe levar
e a tola roda, roda
olhe a folha cansada
que se entrega a sorrir
sem se preocupar
com o que é
oh, pobre folha
que se atreve a voar
com a força do vento
e se contamina com
essa onda quente do vento
e está tão entregue
que já nem é
quinta-feira, 15 de março de 2012
le fabuleux

possuo uma anomalia
em meu coração
ele não esquece nada
e traz tudo que vivi
o olhar ainda é assustado
o inocente garoto
de lábios trêmulos
no nosso primeiro beijo
uma oração com dedicatória:
"ao nosso jovem e amado filho"
a minha dedicatória só está aqui
e redunda em silêncio e não foi:
"Marco Fernando saudades sempre"
hoje virei a velha caixa
de preciosidades do passado
e entre elas seu rosto jovem
uma fotografia antiga
de sua missa de sétimo dia.
quarta-feira, 14 de março de 2012
ruínas
destruíram o belo
e ainda sobraram escombros
é o tempo de repouso
para os exaustos por tentar
desse silêncio que fere e isola
trago imagens de tentativas
sólidas e venenosas
há um canto escuro
onde a luz não toca
mas os olhos enxergam
com uma exatidão doente
terça-feira, 6 de março de 2012
artificial

que me inspira amores eunucos
e perfumes presos a lendas
tentei por anos retirar a bonequinha
loura e perfeita que me impuseram
velei e enterrei todas em meu quintal
e de certa forma elas voltam mortas
para atacar essas pequenas verdades
quem dera a beleza não valesse nada
tentei ser Monalisa de sorriso mestiço
sem adornos nos olhos, sem vaidades
seguem-me peitos sal e risos postiços.
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
anelo
domingo, 1 de janeiro de 2012
sol de janeiro e ano inteiro

no acalanto de sua chegada
descobriu-me mulher
giro em sua órbita
provoca em mim estações
e desconhece-me esfera
causou-me amanheceres meridianos
as belas horas brilharam aqui
vogaram tanto e como que declinaram
no desespero de seu poente
ah, meu amor, minhas dúvidas!
seus lábios queimaram os meus
fizeram juras que não podem cumprir
não sou júpiter ou urano
nem sou saturno e em segredo
trago seu anel no polegar esquerdo
meus olhos devotei aos dias
que choram durante a noite
é madrugada agora
sinto a frieza da solidão
um medo tão meu
obedeço a ordem que impôs
apertam-me suas margens
privam-me do seu calor
tento esquecer o que foi
todas as manhãs.
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
sei de meus calos
domingo, 30 de outubro de 2011
escarlate

enquanto todos os sonhos
se vão com o vento seco
e com as folhas avermelhadas
que parecem rir de bobagens
arrastadas junto com o pó
ela está ali convicta
imaginando que nada poderá
tirar a luxúria de seus olhos
que miram a vastidão horizontal
de um tempo tão ido, tão ido
pobre princesa rubra
assiste passiva sua imagem
espelhada em mil faces falsas
que gargalham entre si
e ela jura que é amor
queria voltar à inocência
que havia antes do vento
arrancar-me as folhas
antes das tempestades
levarem galhos e âmbar
rica princesa rubra
assiste passiva sua imagem
espelhada em mil faces de si
e gargalha entre imagens
e ela sabe que é amor.
(chica de la fotografia: Constanza Ofelia Rodriguez)
sexta-feira, 28 de outubro de 2011
"Bonjour Tristesse"

sábado deveria acordar
no mínimo Jean Seberg
ou Scarlett Johansson
e me diz: bom dia, princesa!
isso é pela devoção
a um inveterado sem cura
o belo me corrompe
sou artista, poeta
guarda seus melhores beijos
em gargalos de garrafa qualquer
que nelas reinvento
e enquanto renasce, eu morro
não há encantamento
sem mácula
ou sentimento
que não castre
calendários anacrônicos
ditam-nos sentenças puras
de não ser, sendo
viver morrendo
desce mais um
bom dia, Tristeza!


