foge
aquieta-se para salvar
a vida
e respira Kandinsky
para morrer
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sábado, 17 de julho de 2010
quinta-feira, 8 de julho de 2010
morri duas vezes

ceguei-me do olho esquerdo
de tão desgastada
não quis ver as chagas
que eu mesma abri
antes de ferir-me
mais algumas vezes
calei a aflição
na tentativa da conversão
desferi golpes certeiros
contra carnes moles
e pensamentos impuros
até não conseguir respirar
aprendi a viver assim
consumindo-me em perdas
queda a queda
gota a gota
clamando pelo novo
mãos estrangeiras
buscaram a re-vida
em vão
morri duas vezes.
(imagem de minha autoria)
domingo, 20 de junho de 2010
discurso do tempo
terça-feira, 8 de junho de 2010
indomável

um vulgo jardim se formava
enquanto estava despetalada
em teu leito ferido
como uma onda de luxúria
como um vulcão entre minhas pernas
como um vendaval de sentidos
enchia-me negro noturno
e astros luminosos
imperadores, incandescentes,
que nos faziam átomos
na conjugação
de verbos imperfeitos
indomável
minha alma transpirava estrelas
procurei, mas não pude vê-las,
estava de olhos fechados
mesmo assim pude te ver sorrir
dentro de mim.
(imagem de minha autoria)
quinta-feira, 20 de maio de 2010
pedra utopia

Pedras
ato VII - pedra utopia
“Coloquemos aquilo que é utopia, aquilo que é o conceito, não o coloquemos em lugar nenhum. Coloquemos no amanhã e no aqui.
Porque o amanhã é a única utopia”. - José Saramago
naquela manhã diferente
quebrou suas ferramentas
não foi trabalhar
não construiu mais castelos
para onda derrubar
rasgou a bíblia
esqueceu versículos
de louvor a deuses surdos
e subiu num caixote
no meio do canteiro central
berrou palavras de desordem
num discurso ao proletariado
relembrou o instinto animal
o não-consumismo
o sobreviver em pequena escala
incitou o caos e a guerra
indagava aos ouvintes
quantos mais de seus filhos inocentes
entregariam à Igreja
ou ao Estado?
contradisse sua utopia insana
que remendava o culto
de que tudo vai dar certo
e extirpou a descendência
do não-ser
num momento sentiu-se livre
e em outro se perguntava
a liberdade existe?
terça-feira, 20 de abril de 2010
quinta-feira, 8 de abril de 2010
a lúcida em mim
segunda-feira, 8 de março de 2010

“A mulher é um reflexo de todas as graças da natureza condensadas num único ser; é o objeto de admiração e da curiosidade mais viva que o quadro da vida pode oferecer ao contemplador. É uma espécie de ídolo, talvez estúpido, mas maravilhoso, encantador, que mantém os destinos e as vontades presas ao seu olhar.” - Charles Baudelaire
maldita
inerte aos ocos, sonhou o outro
como um estrangeiro espelhado
persona a trazer-te de encontro
ânsia de algo não desvendado
nos olhos artificiais de polaróide
sob a luz vulgar, a máquina plástica
deflagrou-se o híbrido humanóide
retratava imagem tosca e apática
quantas vezes fizeram-na ruir
a parte pura de si, essência alva,
entendia-a como eu, frágil porvir
doei-me desnuda, benta e salva
deflorou-me sem piedade e discência
sugou-me com fúria mórbida, latente
desfaleci, sangue amargo e demência
exaurida, vi-me ali, farta e dormente
espólio impregnado de meus erros
vertendo olhos estéreis do desterro
de mal conceber a minha sertania
que impiedosa corta-me em sangria,
maldita!
(imagem de minha autoria)
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Glória

digam-me onde há glória!
quero Glória, em pires
ou dentro de latinhas
de cerveja
para consumo imediato
ela me enlouquece
embriaga e engana
fode-me por ter
credibilidade
depois do Katrina
ou que nome tenha
o furacão-menina
seja na janela
ou na latrina
o cuspe, o vômito
e o gozo renovam-me
e se existe glória nesse mundo
quero-a assim, com nome de mulher
quero foder Glória!
e toda sua história
mentirosa e infame
com sotaque de redenção
e acompanhem-me os coros de
“Glória, glória, aleluia
glória, glória, aleluia!”
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
alegoria
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
máquina de Guerra

(fotografia de Fernando Couto)
máquina de Guerra
um entrave na junção da engrenagem
com a cera da vela oradora é suplicante
por não suportar mais a garatuja de olhos
presos ao fundo, à prego e à parafuso
a clave em Dó maior replica a parole
de um canto que não vai vivenciar
agarrou-se de tal modo ao cavalo de aço
que dele não se solta e torna-se escravo
a solda certifica o encaixe perfeito
parafina chora e ferrugem perpetua
como processar uma ideologia esgarçada
se não permitem mais o livre cavalgar?
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