enquanto ri
choro lágrimas
de Pollock
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terça-feira, 17 de agosto de 2010
domingo, 8 de agosto de 2010
a partilha

partida em duas sem se dividir
e a repressão corre na veia
como picada sob faca
a carne de segunda
fatiada de maneira escusa
sem dó ou piedade
não é o extirpado que grita
reclamando o colo decapitado
quem chora é o progenitor
na ignorância do fato
de estar sendo bifurcado
feito mote mal fadado
a partilha foi feita
como numa missa dominical
todos saem inteiros
e apenas um corpo distribuído
a conta máxima do silêncio
do sangue que corre desvalido
misturado com água e lágrimas
rumo ao ralo do banheiro social.
(desenho de minha autoria)
terça-feira, 20 de julho de 2010
dorme,
e quando acorda nada diz
enquanto ela veste o manto negro
e sai
desce as escadas
sem olhar pra trás
tomada de algo novo
quase nocivo
rememora o caminho
de volta e ignora
a Constante Ramos
com a Barata Ribeiro
esquece suas unhas carmim
que defloraram o úbere
e as horas insones
sobre o dorso dele
dorme,
que foi só um sonho bom
e ela só levou-te a pele
sob suas unhas
e deixou gozo sobre seus ais
a mulher adormece deusa
e acorda puta
cata suas sombras
disformes, inodoras
e some
dorme,
e quando acorda nada diz
enquanto ele se cala sob o negro
e vai.
e quando acorda nada diz
enquanto ela veste o manto negro
e sai
desce as escadas
sem olhar pra trás
tomada de algo novo
quase nocivo
rememora o caminho
de volta e ignora
a Constante Ramos
com a Barata Ribeiro
esquece suas unhas carmim
que defloraram o úbere
e as horas insones
sobre o dorso dele
dorme,
que foi só um sonho bom
e ela só levou-te a pele
sob suas unhas
e deixou gozo sobre seus ais
a mulher adormece deusa
e acorda puta
cata suas sombras
disformes, inodoras
e some
dorme,
e quando acorda nada diz
enquanto ele se cala sob o negro
e vai.
domingo, 18 de julho de 2010
afogado

aquele que sucumbiu
menos pedra, mais areia
deixou-se levar pelo mar
a humanidade é um arquipélago
os homens são ilhas
cercados de água e sal
por todos os lados.
(imagem de Rob Gonsalves, conheça mais o artista:
http://www.discoverygalleries.com/ArtistGallery.asp?artist_id=23&category_id=2 )
Marcadores:
Larissa Marques poesia,
Rob Golsalves imagem
quinta-feira, 8 de julho de 2010
morri duas vezes

ceguei-me do olho esquerdo
de tão desgastada
não quis ver as chagas
que eu mesma abri
antes de ferir-me
mais algumas vezes
calei a aflição
na tentativa da conversão
desferi golpes certeiros
contra carnes moles
e pensamentos impuros
até não conseguir respirar
aprendi a viver assim
consumindo-me em perdas
queda a queda
gota a gota
clamando pelo novo
mãos estrangeiras
buscaram a re-vida
em vão
morri duas vezes.
(imagem de minha autoria)
domingo, 20 de junho de 2010
discurso do tempo
terça-feira, 8 de junho de 2010
indomável

um vulgo jardim se formava
enquanto estava despetalada
em teu leito ferido
como uma onda de luxúria
como um vulcão entre minhas pernas
como um vendaval de sentidos
enchia-me negro noturno
e astros luminosos
imperadores, incandescentes,
que nos faziam átomos
na conjugação
de verbos imperfeitos
indomável
minha alma transpirava estrelas
procurei, mas não pude vê-las,
estava de olhos fechados
mesmo assim pude te ver sorrir
dentro de mim.
(imagem de minha autoria)
quinta-feira, 20 de maio de 2010
pedra utopia

Pedras
ato VII - pedra utopia
“Coloquemos aquilo que é utopia, aquilo que é o conceito, não o coloquemos em lugar nenhum. Coloquemos no amanhã e no aqui.
Porque o amanhã é a única utopia”. - José Saramago
naquela manhã diferente
quebrou suas ferramentas
não foi trabalhar
não construiu mais castelos
para onda derrubar
rasgou a bíblia
esqueceu versículos
de louvor a deuses surdos
e subiu num caixote
no meio do canteiro central
berrou palavras de desordem
num discurso ao proletariado
relembrou o instinto animal
o não-consumismo
o sobreviver em pequena escala
incitou o caos e a guerra
indagava aos ouvintes
quantos mais de seus filhos inocentes
entregariam à Igreja
ou ao Estado?
contradisse sua utopia insana
que remendava o culto
de que tudo vai dar certo
e extirpou a descendência
do não-ser
num momento sentiu-se livre
e em outro se perguntava
a liberdade existe?
terça-feira, 20 de abril de 2010
quinta-feira, 8 de abril de 2010
a lúcida em mim
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