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terça-feira, 12 de janeiro de 2010

goteira






















escorreguei gotejando feito
chuva nas pedras do incompreendido
vãos entremeios do ignorar

há cura para o cansaço
é o sussurro seu no meu ouvido
é a mentira que me conta

já não corro da chuva, da nuvem cinza
nem da esperança que me cega
ainda tenho olhos esbugalhados

eles passam entre seus dedos
como as contas do rosário
de minha avó em devoção

lembro-me ainda do choro
de meu reflexo no seu olho
conjugações não me emocionam

só as gotas
distante me faz ler poesias
e tento reescrevê-las num ato falho
as lágrimas amargas falham em face vazia

jamais tentei o distanciamento
e até orei meu abismo aos bárbaros
que caçoaram de mim

e se consegue ver-me em seus olhos
fure-os na ira da gota
não estou pronta para nós.

3 comentários:

Anônimo disse...

Um texto belo e torturante.Deixe-me abraçá-la,Pagu,apertado,por um longo instante.Bjosss.

http://barthes-fragmentos.blogspot.com

aluisio martins disse...

"e se consegue ver-me em seus olhos
fure-os na ira da gota
não estou pronta para nós."
Bom demais, vc diz o que penso e não tive tal talento para tal.

Larissa Marques disse...

grata aos leitores, voltem sempre.