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sexta-feira, 1 de outubro de 2010

sutura




















vendo o rasgo
que a realidade abriu
costurou saias
cada vez mais compridas

mas a chaga faminta
corrompia os limites
comia-lhe cada vez mais
o verbo e a carne

amputou-te um membro
e manca de uma perna
seguiu negando
assumir-se em muleta

e a ferida aberta
rompia as suturas
tomou-te as sobras
revelando-se o avesso.

2 comentários:

wile Ortros disse...

Esta chaga que alimenta-se de carne e verbo, fora causada por terceiros ou criada pela própria ância de libertar-se dos ciclos e vicios?

Essa pergunta é uma breve retórica do que senti ao ler..

Gostei muito!

Larissa Marques disse...

obrigada, Wile!
admiro sua verve de compositor e é um leitor atento, gostei muito de sua leitura.
beijo!