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quinta-feira, 17 de julho de 2008



No túmulo de Pagu

Redobra teus sentidos e te solta louca
Apegada ao rosto do meu sorriso ferido
Reforma as cores no meu olhar de louça
Aprisiona sem tocar-me nesse momento ido!


Perdeu-te na força de lembranças quase frouxas
Que recobram a vontade de te rever mais pura
Em guerra calada com mera ilusão dos tolos
Despiram rotos até a entrega farta do couro


Esquecer-te como repente estranho, raio preciso
Que atinge toda terra menos o teu fiel vazio
É repensar o toque de teu vago e sereno sorriso
Fazendo-me instrumento de teus desejos tardios

Perceber-te agora vã e fria criatura
Despindo-te nula em infiéis momentos
Como se ainda viva aqui, em carne crua,
Destilasse em mim teus cruéis tormentos.


(ilustração de minha autoria)

2 comentários:

L. Rafael Nolli disse...

Larissa, sempre um prazer ler os teus texto! Impressionante esse retrato da Pagu onde o eu-lírico sofre o terrível carma, assume, ainda que sem poderes para negá-lo - ou melhor, é vitimizado poeticamente por esse carma! Muito forte, muito bonito. Um capítulo a parte são as tuas ilustrações! Telas muito particulares encontro aqui hoje! Abraços!

Voz de Eco disse...

Só passei para registrar o que eu disse: estou apaixonada!!!!!

Rsrrsr