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quinta-feira, 8 de julho de 2010

morri duas vezes


























ceguei-me do olho esquerdo
de tão desgastada
não quis ver as chagas
que eu mesma abri

antes de ferir-me
mais algumas vezes
calei a aflição
na tentativa da conversão

desferi golpes certeiros
contra carnes moles
e pensamentos impuros
até não conseguir respirar

aprendi a viver assim
consumindo-me em perdas
queda a queda
gota a gota
clamando pelo novo

mãos estrangeiras
buscaram a re-vida
em vão
morri duas vezes.

(imagem de minha autoria)

2 comentários:

Leonardo B. disse...

[de todos em todos os dias, o mundo reinventa-se; à sua semelhança, porque não o corpo que o equilibra e canta?]

um imenso abraço, Larissa

Leonardo B.

Glauber Vieira disse...

Muito bonito o texto; a imagem também é bela e chama a atenção.