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quarta-feira, 7 de outubro de 2009

a partilha


partida em duas sem se dividir
e a repressão corre na veia
como picada sob faca
a carne de segunda

fatiada de maneira escusa
sem dó ou piedade
não é o extirpado que grita
reclamando o colo decapitado

quem chora é o progenitor
na ignorância do fato
de estar sendo bifurcado
feito mote mal fadado

a partilha foi feita
como numa missa dominical
todos saem inteiros
e apenas um corpo distribuído

a conta máxima do silêncio
do sangue que corre desvalido
misturado com água e lágrimas
rumo ao ralo do banheiro social.

Um comentário:

Leonardo B. disse...

(da vertigem da palavra, que se faz corrente de água, corrente de terra, corrente de ar, esse silêncio que entrecortado pela presença da letra a letra,desfaz-se na composição tão etérea, quase letal, onde nasce o domínio de partilha, de intima despedida - a palavra já não nos pertence. Aí, nesse ponto, então, a palavra respira, antes de se gritar a si própria e foge! Não nos pertence... que a tome quem a houver por bem)

Um imenso e transtlântico abraço

Leonardo B.
Bizarril
Portugal