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quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Segunda elegia


























o homem perturbado
dialoga com a vida
e há quem diga
que é um baseado
ou que é heroína
mas ele encena
a luta diária
de se dar por nada, na perda
no movimento do outros.

o homem entende
com seus olhos invertidos
vê o que ninguém mais consegue
enxuga seus lábios tardios
enfastiados de agonia
para tentar ser feliz
vomita Euclides da Cunha
e drogas ilícitas
para se livrar das grades.

o homem interna-se
só há grades nos outros
no mundo e em si
no retrair do músculo
na tensa paz vazia
nas ocupações diárias
tenta ser livre
e solta seu verbo
na Jaceguaí.

o homem olha-se
e não vê-se completo
vê-se coagido e liberto
e dança parado
com a fumaça do fumo
e se vai com ela
como se fosse o único
a ver, a sentir, amar e perder
tudo que desejou na vida.


(imagem de minha autoria)

2 comentários:

Leonardo B. disse...

[nada mais simples, nada mais complexo que essa humana natureza insegura... faz mover enquanto dura]

um imenso abraço, Larissa

Leonardo B.

Mai disse...

O homem e sua condição.
A arte me impressionou.
Embora a forte mensagem, há harmonia entre o texto e o desenho. Belo conjunto.

abraços