Pesquisar este blog

sexta-feira, 17 de junho de 2011

eunuco



























cerzi a blusa com listras de sonhos perfeitos
bordando nelas o rouco de sua fala
depois do porre
e não me pergunte porque
mas acho que tons carmesins
não combinam com celeste

vejo agora o quanto se vestia mal
e como se jogou no asfalto
feito velhas virgens nada mudas
condenadas à uma sordidez desnuda
por serem tão beatas e não se permitirem doar

costurei o bolso de sua calça jeans
com o esgarço que trazia nos olhos
e arrematei com essa boca que muito dizia
que ria de tudo e calava para mim

enfim se vestiu em almas vazias
quase suas gêmeas
para estender para si a sua própria mão
e fez-se marionete de si para rir das desgraças
e ainda conseguiu escovar os dentes
se olhar no espelho sem chorar

fêmeas as palavras órfãs quebraram
e cobriram-me de riso, carne e vento
do poeta morto

(para meu amigo Wile Ortros)

Um comentário:

wile Ortros disse...

Não fiz lágrimas de felicidades,
por as ter desperdiçado com outros sentimentos,
em dias amargos os cães lamberam minhas feridas
inspirar poetas muito linsojeia!
E ainda mais um que sabe me embaraçar.
...
É bom encontrar alguém depois de tanto,
e não desperdiçar belas palavras
meu canto sufocado agora é novo
disposto a vadiar pelas estradas
elevando acordes para que despertes.